Tentei esperar ao máximo que podia ontem para receber os trabalhos. Todavia, com a chuva ameaçando, tive que ir andando lá pelas 5:45.
Aparentemente, 4-5 alunos estavam tendo dificuldades em imprimir os trabalhos finais e não podiam me entregar no dia marcado. Minha sugestão, então, é mandar esses pelo correio:
Thaddeus Blanchette
R. Santa Cristina 171, Apto. 301s
Rio de Janeiro, RJ, 20241-250
Estarei em Macaé a semana que vem pelos eventos do inverno fazendo ciência. Todavia, estarei no Polo e não no NUPEM, então acho melhor mandar os trabalhos que faltam.
Abraços e boas férias para todo mundo!
quinta-feira, 15 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Biologia, Cultura e a Questão da Raça
A prova deve ser entregue ao professor (e NÃO por e-mail) no dia 14.07.2010, imprescindivelmente.
A prova representará 45% de sua nota pelo semestre. Escolha TRÊS perguntas das seis apresentadas, e responda a elas utilizando as leituras e notas da aula. Adicionalmente, você terá que responder OBRIGATORIAMENTE a pergunta número 7. (Então você responderá a um total de 4 perguntas.)
O número total de páginas deve ser entre 5 a 10. O trabalho terá que ser feito em Times New Roman 12, espaço um e meio, e impresso em tinta preta. Não aceitarei, sob hipótese alguma, textos escritos a mão.
Cada resposta deve ser apresentada como um mini-ensaio, ou seja, é sua responsabilidade incluir atribuições corretas e uma lista bibliográfica das fontes que você usou para preparar a resposta.
Atribuições devem ser incluídas no texto cada vez que você cita as palavras de outro autor ou use as ideias de outro autor. Nota-se que você nunca pode fazer atribuições demais e o uso correto de atribuições é sua única defesa contra acusações de plágio. Como fazer uma atribuição? Simples: em parenteses, assim, logo após do material em questão (SOBRENOME DE AUTOR, data de publicação: página de onde retirou o material). Então, se você quer citar, por exemplo o Barth sobre a etnicidade, a atribuição correta seria (BARTH, 2000: pagina tal). Se a ideia do autor é geral, só cita seu nome e a data. Se você não tem a data de publicação da obra, isto pode ser facilmente encontrada na internet, buscando pelo título. Em última instância, você pode usar “s/d” (que indica “sem data”).
Para com a bibliografia, ela fica ao final de seu trabalho e deve incluir todos os autores e obras que você citou em suas respostas, listadas em ordem alfabética pelo sobrenome do autor. Cada entrada na lista deve ser assim:
SOBRENOME, Nome. Data de publicação. Título. Título da coletânea, se tiver. Cidade de publicação: editor.
Então no caso de Barth...
BARTH, Fredrik. 2000. “Os grupos étnicos e suas fronteiras”. Em O Guru, O Iniciador. Rio de Janeiro: Contra Capa.
Não esqueça de incluir seu nome numa página de rosto!
As Perguntas Livres (escolha 3 dos 6)
1) Descreva os conceitos de racismo, racialismo e determinismo biológico. Quais são as semelhanças e diferenças que são aparentes entre esses conceitos? Dê um exemplo bem delineado de cada um desses conceitos em uso cotidiano.
2) Descreva a evolução da noção de “cultura”. Quais eram as principais mudanças no uso desse conceito no decorrer de sua história? O que seria determinismo cultural?
3) Dê uma definição adequada dos conceitos de raça e etnicidade; compare e contraste esse dois conceitos.
4) O que é o superorgânico? Quais são suas prováveis raízes biológicas? Somos ou não, enfim, meramente seres biológicos? Argumente sua opinião com o material da aula.
5) Seguindo a obra de Gould, apresente três exemplos históricos de como reificação e determinismo tem se combinado com interesses sócio-políticos para criar explicações deterministas e biológicas para a desigualdade entre seres humanos.
6) Como vemos na aula, racismo dificilmente é fruto de ignorância só: ele tende a ser mobilizado de acordo com determinados interesses políticos (entendendo a "política", neste sentido, como o conflito e competição interpessoal). Use sua própria experiência de vida e descreve um encontro que você teve com racismo, racialismo, determinismo biológico, ou etnocentrismo, referenciando as obras utilizadas no curso para analisar o acontecimento. Quais eram, a seu ver, as prováveis razões políticas ou pessoais que instigaram a mobilização do "-ismo" neste caso?
Pergunta Obrigatória
7) A obra do antropólogo Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, é certamente um dos documentos mais influentes sobre a raça já escrito por um brasileiro. Como temos explorado na aula, Freyre escrevia num momento histórico bastante peculiar, quando as teorias sobre arianismo e eugenia estavam em seu auge, mas que já estavam sendo desafiadas pelas teorias culturalistas dos antropólogos da escola de Franz Boas e Alfred Kroeber. CG&Senzala reflete essa confusão teorica, pois em vários momentos, Freyre parece utilizar as antigas teorias biologizantes para explicar a diversidade racial no Brasil, e em outros ele emprega explicações sócio-históricas e culturais. Você deve descobrir e descrever pelo menos um exemplo no livro de ambos desses usos, demonstrando como é que as idéias de Freyre tendem pelo lado do determinismo biológico, ou pelo lado do determinismo cultural.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Leituras de Gilberto Freyre
Para finalizar a matéria, vamos ler seleções de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala.
O material que deve ser lido é o Prefácio, e Capítulos IV e V.
Lembre-se que esse material representará a base do trabalho final do curso. Quero que vocês escrevem um trabalho - 2-5 páginas - mostrando e EXPLICANDO pelo menos dois usos de Freyre do conceito de "raça". Quero que um desses usos seja no sentido mais racista e tradicional, de "raça como fato biológico" e que o outro seja da maneira mais sociológica, ou seja, "raça como um estrutura social criada por condições históricas e sociais".
Como Casa Grande e Senzala é um livro intersticial - ou seja, ocupa um espaço intelectual que estava em transição do racismo clássico para o determinismo cultural - exemplos de ambos tipos de usos abundam no livro.
O prefácio, que discutiremos ainda essa semana, pode ser encontrado aqui.
(Peço desculpas por não ter colocado esse texto ainda no final da semana passada, mas eu estava passando mal com uma infecção intestinal. O resto do livro será disponível no Xerox do NUPEM ainda nessa semana.)
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Raça no Brasil
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Tribos - regras básicas do jogo
É 50.000 anos A.C. Você sabe onde estão seus filhos?
Como discutimos na aula, a semana que vem vamos fazer uma experiência: vamos jogar Tribos, jogo escrito por Steve Jackson e David Brin que pretende ilustrar a vai-e-volta entre o "tempo longo" da evolução biológica e o "tempo curto" da evolução cultural.
Os jogadores serão todos membros de pequenas bandas de homo sapiens sapiens no início do paleolítico superior, a época em a cultura humana começou, de acordo com muitos antropólogos e biólogos. Provavelmente, teremos duas ou três bandas de 4-8 jogadores cada.
Objetivo do jogo
O objetivo do jogo é ter o maior número de crianças adultas vivas após de 40 turnos (20 anos). Não sei se vamos conseguir jogar todos os turnos, então vamos premiar o homem e a mulher que tiver mais prole e a banda que, coletivamente, tiver mais prole no final da aula.
Regras Básicas
1) Todo jogador terá um personagem, que serão distribuidos por mim antes do jogo começar. Os personagens são divididos por gênero (homem ou mulher). Cada personagem tem uma habilidade: ou é caçador, coletor, ou artesão. Caçadores caçam comida, coletores colhetam comida e artesões fabricam pontos de lança (que são úteis para a caça) ou cestas (que são úteis para a colheita).
2) Todo turno tem três fases: trabalhar, comer e reproduzir.
3) Trabalhar: caçadores e coletores buscam comida e artesões fabricam ou pontos de lança ou cestas. Successo nessas tarefas não é automático.
4) Comer: cada adulto come 4 pontos de comida. Cada criança come 2. Se não tiver comida suficiente, você morre e está fora do jogo. Certas situações podem fazer você comer mais: doenças, movimento da banda para outro campo de caça, gravidez, etc.
5) Reproduzir: cada membro do tribo pode convidar qualquer membro do sexo oposto para tentar reproduzir. Gravidez não é automatico.
6) Crianças: alguém tem que cuidar das crianças da banda. Um artesão ou coletor pode cuidar de duas crianças, sem problemas. Uma pessoa que resolve não fazer nada além de cuidar de crianças podem cuidar de até 5. Caçadores não podem cuidar de crianças. Crianças que não tem um guardião podem morrer.
Preparando-se para o jogo
Por favor, chega no gazebo do NUPEM pronto para jogar. Precisaremos de dados, então por favor, traz quaisquer dados que tiver em casa.
1) Se você tem preferências de equipe, então é bom se organizar antes do jogo começar.
2) Antes do início do jogo, tivermos uma rodada de "Leis", onder as leis (i.e. os costumes sociais) das bandas serão decididas por voto majoritário. Leis podem ser qualquer coisa que vocês querem inventar, tipo leis sobre casamento, divórcio, etc. Então chega na aula já pensando sobre as leis que você quer para sua banda.
Conflitos
Quaisquer conflitos no jogo serão resolvidos por "intimidação" ou por "briga" (tem regras específicas para resolver essas questões). Nota-se: em 50.000 AC, não existia hospitais ou clínicas do SUS. Portanto, tomem cuidado com as brigas: os personagens que se machuquem podem ficar aleijados para o resto de suas vidas.
Conflitos e comércio entre as bandas
Presumimos que todas as bandas vivem na mesma região, então se vocês querem entrar em contato para fins de guerra, comércio, para arranjar maridos/esposas, ou para qualquer outra razão, é só me avisar durante o jogo.
O juiz
Eu sou o juiz. Se você quer fazer algo clandestinamente (fora do visto dos outros jogadores), é só me avisar. Qualquer decisão minha sobre o jogo, incluindo eventuais mudanças nas regras, é final.
Sugestões
Esse jogo pode demorar ou ir rapidamente e tudo depende de vocês. O objetivo e se divertir e - espero eu - aprender algo sobre as condições prováveis da vida humana no início da nossa constituição como espécie superorgânico. Para vocês que têm jogado RPG em algum momento: isto não é um RPG. É um modelo da vida assim-chamada primitiva. Conflitos armados matam fácilmente e acidentes geralmente são fatais. As crianças (que são, afinal das contas, nossa medida de vitória no jogo) serão extremamente vulneráveis se vocês não trabalham juntos para as proteger. Valentia e porrada podem ser divertidos num jogo como Dungeons e Dragons: em Tribos, tal comportamento deve ser o último recurso (como geralmente era na vida real nessa época).
Boa diversão!
Até quarta feira, posso responder às perguntas escritas nos "comentários", abaixo.
terça-feira, 4 de maio de 2010
O desenvolvimento do conceito de cultura
Franz Boas (1858-1942), demonstrando um ritual indígena no museu nacional dos EUA em 1895.
O conceito de cultura, propriamente dito, continua uma linha de pensamento antigo na Europa a cerca das diferenças físicas e espirituais manifestas entre seres humanos: o monogenismo. Essa teoria estipulava a união psiquica básica de toda a espécie humana, seguindo os preceitos bíblicos que a humanidade descende-se, só e unicamente, de Adão e Eva. O monogenismo se opunhava o conceito de poligenismo, que estipulava que só os povos brancos e mediterraneos foram descendentes de Adão e Eva do Jardim de Eden, os outros povos do planeta sendo criado em outros lugares e momentos (ou por Deus ou pelo Diabo).
Embora seja uma simplificação brutal, podemos pensar em determinismo biológico e racismo como teorias descendentes de (ou aparentadas com) poligenismo enquanto o relativismo cultural tem uma pé firme na herança intelectual de poligenismo.
O conceito de cultura vem própriamente da união de duas outras ideías: kultur, um conceito alemão, utilizado para simbolizar todos os aspectos "espirituais" de uma comunidade (suas leis, tradições, pensamentos e etc.) e a civilización, um conceito francês que refere-se às realizações materiais de um povo (i.e. sua tecnologia).
Em sua obra principal (Cultura Primitiva (1871)), Edward Tylor (1832-1917) sintetiza esses dois conceitos para criar o conceito de cultura: essa palavra refere-se todas as possibilidades de realização humana, se opondo fortemente a idéia da transmissão biológica dos comportamentos humanos. Tylor define a cultura como "todo aquele complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábito adquerido pelo homem como membro da sociedade".
Um problema com a definição de Tylor é que ele ainda aceitou a noção de uma escala comparativa de cultura - ou seja, a idéia de que tinha culturas superiores e inferiores. (Veja-se o livro de Roque Laraia, Cultura, Capitulo 4, segunda página, para mais informações.)
Franz Boas (1858-1942) completa o desenvolvimento da noção moderna de cultura, postulando o relativismo cultural: “culturas” (plural) versus “cultura” (singular).
Apontava que cada cultura é uma unidade integrada, fruto de um desenvolvimento histórico peculiar. Boas enfatizou a independência dos fenômenos culturais com relação às condições geográficas e aos determinantes biológicos, afirmando que a dinâmica da cultura está na interação entre os indivíduos e sociedade. Para eles, o fato de ocorrerem fenômenos semelhantes em épocas e lugares diferentes, provava a existência de uma origem comum da humanidade. Boas, pelo contrário, afirmava que esses fenômenos similares poderiam ter se originado por caminhos diversos, e que o mesmo fenômeno tem sentidos variados em cada cultura. Antes de se fazerem suposições, devia-se investigar a fundo as causas dos fenômenos, utilizando-se da investigação histórica, tão defendida por ele. Boas inaugura o conceito de culturas, no plural, que cada uma delas tem sua própria história; contrapondo com o pensamento evolucionista que concebia uma cultura humana universal. Segundo Boas, todas as culturas são dinâmicas, sofrem mudanças ao longo do tempo. O objetivo da pesquisa antropológica de Boas seria compreender os fenômenos dessas culturas particulares, o sentido que os elementos de cada cultura tem para seus membros, e não estabelecer leis gerais, como pensavam os evolucionistas.
A.L. Kroeber (1876-1960) é o último "pai" da noção moderna de cultura. Ele desenvolve o conceito do superorganico em 1917, postulando a supremacia da cultura sobre a biologia no comportamento humano. Amplia-se o conceito de cultura e declara sua supremacia nos assuntos humanos.
Como Opera a Cultura
1) Cultura condiciona a visão do mundo do homem. Forma-se uma lente através do qual o mundo é visto. Fisicamente, até: os esquimos o o cor branco. Etnocentrismo: entender o mundo como se seus valores fossem os mesmos de todo mundo.
2) A cultura interfere no plano da biologia. Banzo. Couvade.
3) Os individuos participam diferentemente de suas cultura. Velhos e novos, mulheres e homens, posições de trabalho diferenciadas.
4) A cultura tem uma lógica própria. Os homens bombas “malucos”. A coerência de um hábito social só pode ser analisado a partir do sistema a que pertencer.
5) A cultura é dinâmica. Ela muda, sempre. Não existe cultura fossilizada.
(Fontes: Wikipedia e Laraia)
Eugenia
Francis Galton, 1822-1911
Primo de Charles Darwin
Fundador da eugenia
Obra principal: Gênio hereditário, 1869
Eugenia é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Em outras palavras, melhoramento genético.
O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a ter um movimento eugênico organizado. A Sociedade Eugênica de São Paulo foi criada em 1918. O movimento eugênico no Brasil foi bastante heterogêneo, trabalhando com a saúde pública e com a saúde psiquiátrica. Uma parte, que pode ser chamada de ingênua ou menos radical, do movimento eugenista se dedicou a áreas como saneamento e higiene, sendo esses esforços sempre aplicados em relação ao movimento racial.
Quadro "Redenção de Can" (1895, avó negra, filha mulata, genro e neto brancos). Para o governo da época, a cada geração o brasileiro ficaria mais branco. Quadro de Modesto Brocos y Gomes.
(Fonte: Wikipedia)
O quadro "A Redenção de Can" do pintor Modesto Brocas y Gomes (1895) hoje faz parte da coleção de arte nacional amostra no Museu Nacional das Belas Artes no Rio de Janeiro. Nele, vemos uma ilustração gráfica da eugenia à brasileira: uma avó negra lança as mãos aos céus por seu neto ter nascido branco.
Darwinismo Social
Herbert Spencer, 1820-1903
Obra principal: Princípios de Biologia, 1864
Cunhou a frase “sobrevivência dos mais aptos”.
Popularizou o Darwinismo social
De acordo com esse pensamento, existiriam características biológicas e sociais que determinariam que uma pessoa é superior à outra e que as pessoas que se enquadrassem nesses critérios seriam as mais aptas. Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade em um ser humano seriam o maior poder aquisitivo e a habilidade nas ciências humanas e exatas em detrimento das outras ciências, como a arte, por exemplo, e a raça da qual ela faz parte.
Um conjunto de pensadores atribui a fonte do darwinismo social ao próprio Darwin, que na sua obra, A Origem do Homem, havia aplicado o sua teoria ao mundo social. Nesta obra, Darwin ocupa-se da evolução humana e ao fazê-lo aplica os mesmos critérios que utiliza em A Origem das Espécies. Entretanto, foi Herbert Spencer o autor que popularizou a idéia de que grupos e sociedades evoluem através do conflito e da competição. A teoria de Darwin diz também que no mundo sobrevive o mais forte por isso há a evolução, os seres vivos evoluem para cointinuar vivo, o homem é um grande exemplo disso.
(fonte: wikipedia)
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